Por que continuamos escolhendo o mesmo “tipo” de parceiro?
Muda o nome, muda a altura, muda o estilo de cabelo... mas depois de alguns meses de namoro, a sensação é a de estar vivendo o mesmo filme com atores diferentes.
Você promete a si mesma que da próxima vez será diferente, mas de repente se vê novamente em um relacionamento com alguém emocionalmente indisponível, controlador ou que exige que você se anule para ser amada. Por que parece tão difícil quebrar esse ciclo?
O inconsciente não escolhe por acaso
Para a psicanálise, o amor não é cego — ele é guiado pelo inconsciente. Em Fundamentos da Técnica Psicanalítica, Bruce Fink discute como tendemos a reencenar na vida adulta (especialmente nos relacionamentos afetivos) posições e dinâmicas que nos marcaram na infância.
A mente humana tem um funcionamento curioso: ela prefere o que é familiar, mesmo quando dói. Se no seu passado o afeto esteve atrelado ao esforço excessivo, à rejeição ou à necessidade de "salvar" o outro, o seu inconsciente entenderá essas dinâmicas como o "código do amor". Sem perceber, você se sentirá atrativamente atraída por pessoas que reativam exatamente essas mesmas sensações.
Tentando mudar o final da história
Existe uma força psíquica chamada compulsão à repetição. Inconscientemente, acreditamos que se reencenarmos o mesmo conflito com um novo parceiro, desta vez conseguiremos um resultado diferente: "Se eu conseguir fazer essa pessoa difícil me amar, finalmente curarei aquela antiga ferida de não ter sido acolhida".
O problema é que tentar consertar o passado através de escolhas no presente só mantém a roda girando, gerando frustração e a falsa sensação de que "o amor não é para mim".
Como quebrar o padrão?
Quebrar a repetição não acontece apenas por "decisão racional" ou por ler listas de conselhos na internet. É preciso olhar para o que está por trás da escolha:
Identifique a dinâmica, não apenas o perfil: Em vez de olhar para o tipo físico ou a profissão do parceiro, observe como você se sente na relação.
Escute a sua própria história: Entenda quais papéis você costuma assumir nas suas relações (a cuidadora, a compreensiva demais, a que resgata, a que busca aprovação).
Faça o trabalho de elaboração na terapia: Ao levar esses padrões para a análise, você começa a enxergar as lacunas da sua história e aprende que não precisa mais reviver velhos conflitos para ser amada.
Mudar o padrão de relacionamento começa no momento em que você decide mudar a relação com o seu próprio desejo.
Você já sentiu que estava repetindo um padrão nos seus relacionamentos? Conte a sua experiência nos comentários!